Uma das coisas que mais enaltecem a alma de um escritor é quando o mesmo é capaz de escrever não de forma pomposa visando a sua autopromoção, com um uso exacerbado do vernáculo de forma erudita e tendenciosa, mas sim quando o mesmo é capaz de mostrar o ápice de sua sabedoria quando faz uso de simples palavras que são capazes de mexer de forma tão impactante com o espírito do leitor a ponto de levá-lo a uma fantástica e extasiante experiência, e sem medo de errar a obra A herdeira de Perséfone de Jen Bastian leva o leitor a uma experiência única.
Nos onze capítulos que dão corpo a obra, pode-se dizer que a coerência e a desenvoltura com que a trama se desenrola atribui potencialidades a obra que a eleva ao status de uma obra literária única em seu gênero.
O primeiro capítulo da obra é por demais interessante, porque quando se observa que o autor decide entrar em um determinado universo, o leitor cria expectativas e estas expectativas foram supridas com louvor, de vez que ao entrar no universo dos universitários, vê-se que a composição dos personagens ficou de forma que o leitor não consegue tirar os olhos da trama e anseia avidamente pelos próximos capítulos.
O início do clima de romance surgido dentro de um contexto de uma banda de música formada por aspirantes ao sucesso e fama no mundo da música, abre de forma sublime a trama.
No segundo capítulo a trama começa a ganhar um ar místico e este instante se faz decisivo para o autor mostrar toda a sua habilidade e destreza, pois um único escrito, uma única explanação de caráter religioso e radical pode elidir em definitivo com quaisquer chances do escritor atingir o grande público, devido a uma tendência natural do ser humano de se afastar de quem não compartilha das mesmas idéias.
E um ponto que merece destaque na obra de Jen Bastian é que a abordagem feita é digna de compor tramas cinematográficas, de vez que a partir de um sonho a personagem começa a se deparar com uma realidade até então desconhecida.
Algo fantástico que se desenrola no terceiro capítulo é a forma com que a idéia fictícia de que o homem é capaz de se comunicar com os mortos é abordada de forma que provoca e instiga a mente do leitor.
Pois como todos sabem, quando se impressiona a mente subconsciente com uma idéia que a mente consciente não é capaz de desvendar, o cérebro humano desencadeia um processo conhecido como transe hipnótico e qualquer sugestão é amplificada nas camadas mais profundas da mente.
E o que mais dá brilho e vida a obra A herdeira de Perséfone de Jen Bastian é que ela afasta qualquer aparte mais maldoso e radical ao mostrar no capítulo dois que a personagem teve um sonho e que em decorrência disto no capítulo três ela acredita ser possível se comunicar com todos os demais mortos, ou seja, ela deixa claro que a mente subconsciente da personagem foi impressionada de tal modo que não houve mais resistência da mente consciente em acreditar no fato.
E o que mais merece aplausos no capítulo três é que, uma vez que se acredita que se pode manter contato com os mortos, todas as impressões físicas vivenciadas pela pessoa começam a emergir das camadas mais profundas da mente e mistificada na mente consciente, fazendo com que uma variação climática mais brusca, seja interpretada pela mente como uma manifestação dos espíritos desencarnados, ou que uma simples brisa ou vento mais forte ligado com um ambiente escuro seja interpretado pela mente da personagem como uma tentativa do além de se comunicar com ela.
A trama ganha cada vez mais vivacidade e brilho ao caminhar para o quarto capítulo.
No capítulo quatro, Jen Bastian demonstra a sua habilidade e perícia ao prender a atenção do leitor ao inserir outro fato que se assemelhara ao narrado no primeiro capítulo, e deixa na mente do leitor, após os eventos noturnos nos quais tiveram envolvidos os personagens, a curiosidade pelo que acontecerá nos próximos capítulos depois de um conflito mental envolvendo a personagem principal.
No capítulo cinco, a linha do misticismo do capítulo dois retorna de forma extasiante porque ao começar uma busca por conhecer mais sobre o passado de seus parentes a personagem principal começa a ver que algo de muito lógico tinha naquele seu sonho.
No capítulo seis, o clima investigativo em que a personagem principal está imerso dá uma sustentabilidade incrível em toda a trama, pois como se pode perceber, este capítulo marca o centro da obra, e neste exato instante é que muitas obras literárias deixam a desejar pela falta de conexão e contextualização da história.
E, é válido ressaltar que Jen Bastian dá a cada capítulo um novo núcleo interligado com o núcleo anterior, todos emanados da história central, coisa que dificilmente um escritor amador consegue fazer.
No sétimo capítulo, a misteriosa loucura da adversária da personagem principal faz com que a trama venha a se endereçar para o seu clímax, agora fica cada vez mais difícil para a personagem desmembrar o que de tão sobrenatural está acontecendo na vida dela, de vez que sem mais o emprego e a banda que nos primeiros capítulos era a sua paixão, deixa o leitor faminto e em êxtase de tanta curiosidade pelo que acontecerá agora que o mundo dela praticamente está em ruínas.
Os últimos capítulos estão tão bem intercalados que aludir aos eventos, a toda reviravolta da história tiraria o prazer do leitor de descobrir como termina uma história que de fato parte de uma mente preparada para o sucesso literário.
Na condição, não de escritor, dono de várias obras e detentor de artigos que são sucesso de público e crítica, mas sim de um eterno e apaixonado leitor de toda e qualquer obra que venha a enaltecer o intelecto da mente humana, eu Hudson Sander pessoalmente recomendo a leitura da obra A herdeira de Perséfone de Jen Bastian porque é uma obra literária escrita de forma profissional, com um enredo digno de produções cinematográficas, com capítulos muito bem desenvolvidos e uma coerência de idéias digna de fortes aplausos.
Juiz de Fora/MG 26 de maio de 2011.
Hudson Sander
Autor de Os poderes de uma mente sedutora